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Encontros e Desencontros

outubro 14, 2012

Ontem revi este filme, nem sei quantas vezes já o vi, mas como tudo na vida, a cada momento que se vive uma experiencia ela tem um sentido diferente…

Sempre vi este filme do ponto de vista do Encontro, acho que era um ponto de vista bastante otimista, e, eu sou bastante otimista… Na verdade sempre via o filme do ponto de vista romantico, e aqui, nem me refiro a o romantismo amoroso, mas ao romantismo que sonha, que tem beleza, que é doce… Houve até uma ocasião que o filme escolhido foi este para brindar junto com Stellas num domingo frio e chuvoso um reencontro que vivi. Mas até entendo porque naquela ocasião o filme escolhido foi este, os olhos reencontrados também se detinham ao aspecto mais “romantico” do filme, ao aspecto do encontro, no caso, do reencontro… Olhavamos em dupla, para a dupla, e com isso a singularidade de cada um se perdia (tanto no filme, como no tal reencontro).

Desta vez, talvez por eu estar menos otimista, mais singular, ou sei lá o porque, eu vi o filme de outra forma… Eu vi muitos Desencontros… e não só porque são dois americanos e Toquio, sem compreender nada do idioma, ou ambos estarem insatisfeitos com os “encontros” conjugais que vivem… Mas porque ambos me pareceram desencontrados de si mesmos…

Ambos estão em busca mas nem sabem do que… Eles são cinza, ou melhor, eles são de tons pasteis, tal qual o figurino que usam durante todo o filme, não há cor, não há brilho (que fica por conta da iluminação de Toquio, contrastando ainda mais com a falta de cor de ambos), não há paixão, não há tesão, não há vida!

Nos raros momentos que a cor aparece, que seja na camiseta “camuflada” dele, ou na peruca cor de rosa dela, ambos se reprimem, um ao outro, como se a cor de um evidenciasse a falta de cor do outro, e então nenhum dos dois podem brilhar. Lembro até da historia do vagalume e da cobra, aquela em que a cobra insistentemente tenta comer o vagalume, até que um dia, este, irritado pergunta: porque vc quer tanto me comer se nem faço parte da sua cadeia alimentar?; e a cobra responde: porque não suporto ve-lo brilhar!

Há uma indiferença, um conformismo, uma aceitação de ambos pelas suas condições que chega a ser triste aos olhos de quem vê, o que parece respeito, bonito, ambos dormirem na mesma cama sem ao menos se tocarem, na verdade demostra a ausencia de impeto, de ousadia, de sede de vida…

De fato, eles estão se encontrando, mas numa ausencia, numa indiferença, numa falta… Poxa, ela esta há dias com dor no pé, e nem disso se queixa!!!! E ele que fala ao telefone para a mulher que quer mudar de habitos comer coisas mais saudaveis como se isso fosse fazer a vida dele melhorar!!! QUANTA ILUSÃO!!!

É realmente fiquei incomodada com o filme, e acho que ele serve para isso mesmo, para incomodar… Senão teria um final mais previsivel, e não tem…

Não é uma comediazinha romantica que tem um happy end como tantas que vemos por aí!

Mas há um momento em que há paixão, em que há tesão, em que há vida… Embora, talvez para a maioria das pessoas seja o momento do “desencontro” entre os dois, mas não é… é alí, naquela mesa de restaurante, onde ela demonstra ciume por ele ter passado a noite com uma outra mulher, bem menos linda, bem menos interessante que ela que eu percebo o encontro.

FINALMENTE ELA SE INCOMODA, ELA QUESTIONA, ELA NÃO SILENCIA!!!!

“Porque ela e não eu? porque vcs tem a mesma idade e podem conversar sobre mais coisas em comum da decada de vcs?” Ela diz ironicamente… E ele, incomodado, envergonhado pelo que havia feito responde a altura… E para mim é aí que se dá o encontro…Pq, ainda que sentimentos “desagradaveis” (a gente tem uma tendencia a achar que alguns sentimentos são desagradaveis… fazer o que?) é a partir dai que os sentimentos aparecem…

E não é que depois há até um alerta de incendio no hotel que estão os dois… É, de fato, as coisas poderiam “pegar fogo” depois daquele almoço… Mas… não é uma comediazinha romantica, o final não é tão previsivel assim…

Que bom, porque a melhor coisa dos Encontros e até dos Desencontros (e pq não dos Reencontros) é justamente a gente não saber o final!

brilho eterno de uma mente com lembranças

novembro 29, 2010

Já associei, como muitas pessoas, a especialidade de uma situação a durabilidade que esta teve. Parece que para algo ser considerado bom ele tem que “vingar”, ou pelo menos se repetir muitas vezes, e, se assim não for, tudo o que foi vivido não pode ter sido bom. Depois de algumas experiências passei a olhar as coisas de outro modo.

Na verdade, o que me mobilizou a pensar isso foi que, neste momento, tenho uma amiga que esta grávida. Quando foi ao medico a mesma disse que esperaria mais algumas semanas para confirmar a gravidez já que a constatação foi feita num período muito precoce, e pode ser que o embrião não se forme. Ok, isso é natural. Pouca gente sabe, mas, pelo menos uns 20% de gestações não “vingam” e as mulheres nem sequer sabem disso. Mas o duro é que esta minha amiga esta quase se impedindo de ficar feliz por estar grávida, porque tem medo que daqui a pouco ela não esteja mais.

É possível (porque tudo, ou quase tudo é), mas e daí? Fato é que, neste momento, ela esta grávida e acho mais que ela tem sim que poder ficar feliz com isso. Pode ser que daqui um tempo ela não esteja mais (ou pq a gestação não foi adiante, ou pq o bebe tenha nascido), mas deixar de curtir algo pela possibilidade de perde-lo é, pelo menos, injusto.

Mais grave ainda, e acho que eu fiz isso com muitas das minhas experiências, é invalidar, destruir o que vivi só porque perdi. Talvez isso indicasse, além de uma impossibilidade de perder, uma certa inveja… inveja de mim mesma…

Algo do tipo: não posso continuar achando que algo foi bom porque senão vou continuar desejando, então, destituindo aquilo de valor passo a não mais desejar. Bastante lógico, e não menos cruel. Porque além de perder o futuro, eu acabava, muitas vezes, distorcendo o passado e esvaziando o presente, transformando algo bom em algo ruim, e daí o que sobrava de algumas experiências eram ruínas, ou as vezes só um grande vazio (e o efeito era contrario ao esperado… qto maior o vazio, maior o desejo…).

Daí lembrei do meu pai. Ele morreu (cedo demais, eu acho), mas o fato de não estar mais aqui não significa que ele nunca esteve. O fato de ter acabado não significa que nunca tenha existido… Demorei muito para perceber isso, não só em relação ao meu pai, mas em relação a mim mesma, a maneira como eu lidava com algumas experiências.

Mas perceber isso me deu um baita conforto, e talvez a chance de reconstruir, dentro de mim, muitas experiências que eu tinha invalidado e provavelmente com isso não aprendido de fato com elas. Acho que estou começando a aprender, e a entender que especialidade nada tem a ver com durabilidade… Ou talvez tenha, mas não exatamente com uma durabilidade no sentido do tempo cronológico, mas sim com a durabilidade da experiência dentro de nós. Com a permanencia daquilo que vivemos no nosso mundo interno como algo bom…

Mesmo que, a situação não se eternize… afinal, só uma coisa é eterna… o que já passou. Porque mesmo que nunca mais aconteça, o que aconteceu foi para sempre. E a única coisa que pode ser mudada é a percepção, não o acontecimento.

E daí me pergunto, porque não manter a percepção do momento vivido ao invés de altera-la de acordo com os futuros acontecimentos?

Agora que estou escrevendo me lembrei do filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Acho que, muitas vezes, eu sonhei encontrar um Doutor Mierzwiak, apagar tudo da minha memória, ter uma mente sem lembranças…

E, como tem coisas que nem Freud explica, segue a conversa que estou tendo agora no MSN (e para não expor ninguém mais alem de mim… o nome foi substituído por ***):

*** diz:

resolveu aparecer

Lu diz:

final de ano… corrigindo tccs, relatorios… uma correria

*** diz:

posso imaginar

Lu diz:

  Talvez um desencontro de horários…

*** diz:

pode ser…!

mas nao te esqueci

Lu diz:

engraçado vc dizer isso… estou escrevendo justamente sobre lembranças neste momento 

Sem entrar em pormenores, até porque eu já disse, não vou expor ninguém mais alem de mim, mas a durabilidade desta historia foi curta, mas isso não significa que não tenha sido especial, tampouco significa que eu tenha que esquece-la. Acabou, mas… aconteceu.

E, convenhamos, nem em filme dá certo, quiça na vida real!

Ainda bem, porque, no fundo, o que dá o eterno brilho a mente… são justamente as lembranças!

Bastardos “glórios”

março 9, 2010

Meu irmão está fazendo mestrado e me pediu para escrever algo sobre o filme bastardos inglorios. Não entendi direito o que ele quer, tampouco, a relação da tese dele com o filme, mas… fiquei tentada a escrever.

Assisti a este filme 5 vezes, é curioso este habito que tenho de rever filmes, mais curioso ainda é que eu reveja tantas e tantas vezes os filmes do Tarantino. Vi Pulp Fiction nem sei dizer quantas vezes, mas o suficiente para poder reproduzir quase todos os dialogos com precisão. Sei que perdi o foco, deveria falar sobre bastardos, mas… Pulp fiction rouba a cena.

Engraçado, nunca escrevi sobre pulp fiction, ao menos não aqui, mas me lembro que uma vez mandei um email:

“…Veja, acho que por isso que associo tanto o Pulp Fiction a vc (e não só pela obviedade de vc também adorar este filme), mas pessoalmente considero que o Pulp Fiction foi um marco na historia do cinema, uma ruptura mesmo, porque transcende, pq, ao meu ver, depois dele o cinema nunca mais será o mesmo… 
Não, não vou me propor aqui a fazer uma analise critica do filme, mas só estou estabelecendo um paralelo entre o Pulp Fiction para o cinema e o que vc foi para mim (ou é… pq algumas coisas se eternizam…).
Vc também causou uma ruptura em mim, com a sua criatividade, sua doçura (sim, vc é doce e o filme também é…ou melhor, tem seus momentos rsrs), com a sua capacidade de surpreender, com o seu humor, inteligencia, irreverencia, e eu diria violencia (vc chegou com tudo né!!!) vc causou em mim o que o filme causa… me prendeu do começo ao fim, me instigou a pensar, me divertiu e promoveu uma coisa muito, mas muito importante: uma SUPERAÇÂO! (eu falei que a palavra era importante).
Também não vou aqui entrar em pormenores, mas o que posso dizer é que sua entrada na minha vida fez com que eu saisse do cotidiano que as vezes é aprisionante, vc me fez pensar e sair do mesmo, vc me tirou do meu mundo e,  isso é impagavel!!! Por isso se eterniza! Saca, no Pulp Fiction, onde não importa se os personagens sobrevivem ou não, a questão do filme não é “o que”, é “como”.
Vai ver que eu também estava meio que num vicio, numa overdose eu diria, e de repente tomei uma injeção de adrenalina (acho incrivel (e neste momento bem oportuno) o dialogo que antecede a injeção na Mia: Enfio três vezes? Não, só uma mas com força para penetrar no coração.) (Irresistivel fazer uma piadinha… um dia vc me disse assim: Lú, vc esta conseguindo esculpir seu nome nesse meu coração de pedra… E hj eu penso, acho que era minha lápide hahahahaha. Sorry, perco o amigo mas não perco a piada!!! rsrs)
Eu diria assim: a gente (eu+vc) não sobreviveu, mas e dai? Não importa “o que” vivi com vc, mas “como” isso foi vivido (e ficou um traço dourado impresso e ninguem poderá tirar…
Entenda o “e dai?”, não é indiferença, mas… os filmes não duram para sempre! E na boa, algunas acabam na hora certa pq se continuassem talvez perdessem a graça (ou não, mas isso nunca saberemos, pq eles acabam e só sabemos este final). Pulp Fiction praticamente começa e termina na mesma cena… Vc entrou com tudo e saiu com tudo também, mas entrou grande e saiu grande (se assim não fosse não estaria aqui escrevendo este email).
Agora me dou conta que estou sim falando de bastardos… fui procurar no dicionario qual o significado desta palavra, e, segundo o houaiss:

      adjetivo

  1. gerado fora do matrimônio; adulterino
  2. Derivação: por extensão de sentido.   qualquer degenerado da espécie a que pertence
  3. que não tem um caráter claramente determinado Ex.: decisão b.
  4. ver híbrido (adj.)
  5. Rubrica: artes gráficas.   diz-se do tipo não padronizado, que não possui as características estruturais de nenhuma família
  6. Rubrica: artes gráficas.   diz-se do caráter em que o tamanho do corpo e do olho diferem (p.ex., uma letra de oito pontos fundida sobre seis)

Considerando àquilo que destaquei… Pulp Fiction é bastardo- no melhor sentido da palavra!- (tanto o filme quanto o destinatario do tal email…). Só não acho que sejam inglorios, alias… nem um pouco inglorios… (se assim não fosse eu não teria revisto tantas e tantas vezes, nem um nem o outro!).

Agora eu sei porque revejo tanto (alguns filmes, algumas cenas da vida real) porque como eu disse uma vez para o bastardo glorio (não o da tela, mas o do email): “Nada tende a durar. Tudo é finito e efemero. O que é bom e o que é ruim. Sabe aquela frase de para-choques de caminhão?: tudo é passageiro menos o motorista e o cobrador! hahahahha. Viva a sabedoria popular!!!!
A diferença é que as coisas boas a gente tende a repetir, só isso. Não é durabilidade, é repetição.”
 

* calma irmano… jaja escrevo sobre os bastardos inglorios…

minha mãe vendeu a casa…

março 3, 2010

Minha mãe vendeu a casa.

Parece titulo de filme, livro, sei lá o que… mas neste caso é o titulo do fato. É engraçada a relação que estabelecemos com alguns lugares. Tá, talvez seja engraçada a relação que eu estabeleci com aquele lugar.

Fui morar lá aos 12 anos, eu adorava a casa que eu morava antes, a casa da minha infancia. mas em março de 1991 veio uma enchente e literalmente minha vida ficou embaixo d’agua. Sobrou quase nada, tanto de móveis, roupas, documentos quanto de lembranças…

É bem curioso, mas sempre que me lembro da minha infancia lembro da rua, das brincadeiras no quintal, pega pega, jogo de botão, casinha da barbie, rouba bandeira, festas juninas, bailinhos na garagem, menino pega menina, policia e ladão, casinha, escolinha… Tudo que acontecia da porta para fora. Não lembro da sala, do quarto onde eu dormia, do banheiro, da cozinha… de nada daquela casa. Eu poderia atribuir o esquecimento ao tempo, mas seria muito inocente da minha parte. Aqui entra em ação meu lado psi… claro que por alguma razão eu reprimi qualquer lembrança daquela casa. A razão eu não sei, mas o efeito dela eu sei bem. Um branco, um xis e um zero (como dizia Cassia Eller).

Quando me mudei para  a casa que minha mãe vendeu eu ja estava mocinha, ainda não tinha abandonado a barbie, mas já olhava os meninos na rua. Eu adolesci naquela casa. Foi lá que eu tive as piores brigas com meu irmão, que eu comi brigadeiro com minha amigas, foi naqueles mil espelhos do quarto dos meus pais que eu me olhei e disse: caraca, eu não sou mais criança… cade as minhas sardas??? e então eu deixei de ser a Russa (como eu era chamada na infancia) e me tornei a Lú, alias foram naqueles espelhos que eu me vi vestida para ir para uma balada pela primeira vez, foi naquele quintal que meu irmão ensaiava com a badinha dele e eu ficava acompanhando, e também naquele quintal que joguei muito ping pong e sinuca com os amigos, isso sem contar que naquele quintal fiz varios churrascos (e fiz outras coisas também… o quintal lá é enorme!!!).

Foi naquele quarto que eu estudei para passar no vestibular e naquela garagem que guardei minha vespa e depois meu primeiro carro. Foi naquela cozinha que arrisquei minhas primeiras comidas, e que tomei varios e varios cafés da manhã, e almoçei e jantei. Foi naquela sala que vi a maioria dos filmes que já assisti na vida e que recebi meus amigos para ver a copa do mundo de 94,98,2002 e 2006. Foi naquela sala que assisti a morte do Senna e que eu assistia malhação quando o mocotó ainda fazia parte dela.

Foi naquele banheiro que eu vi meu corpo se transformar e que de menina eu passei a mulher, e era lá que eu entrava para fumar escondida dos meus pais e para chorar também quando eu estava triste de não ter jeito. Era naquela sala que eu passava as madrugadas com meus namorados e foi naquele quarto que pela primeira vez um namorado meu dormiu em casa.

Foi la que fizemos amigo secreto em familia e eu comemorei varios dos meus aniversarios, era la que comemoravamos o natal e fui lá que eu vi as crianças da familia crescerem. Foi naquele quintal que meu pai pendurou uma faixa para mim quando eu fiz 15 anos, e que fizeram uma serenata para mim. Foi na parede daquele quarto que eu colei o poster dos artistas que eu mais gostava. Foi naquela casa que eu me arrumei para minha formatura da oitava serie, e do colegial e da faculdade também… alias foi lá que eu brindei quando passei na pós e quando fui aprovada no final do curso.

Foi lá onde eu ouvi as historias da minha bisavó e que ela brigava quando começava o comercial na tv achando que tinhamos mudado de canal. Foi naquela casa que acessei pela primeira vez a internet e aprendi a usar o computador. Foi lá também que aprendi a gostar de literatura, de rock’n roll, de psicanalise, dos meus pais…

Eu “adulteci” naquela casa…

Foi lá que eu tive as conversas mais serias e mais divertidas com meu pai, foi lá que eu deitei no colo da minha mãe quando eu levei um pé na bunda, foi lá que eu aprendi a ir ao cinema sozinha e que eu passei horas no telefone com minhas amigas.

Foi lá que eu vivi com meu pai e foi lá que eu chorei a morte dele, porque dentre tantas coisas eu nunca mais ia poder beijar a testa dele ao acordar…

Foi lá que eu decidi que não ia mais morar lá, e naquela época tudo bem… eu havia saido mas a casa estava lá… tudo isso ainda estava lá.

Hoje, quando eu estive lá e vi que os móveis já foram desmontados, que as coisas da minha mãe já não estão lá, que a casa esta quase vazia, me senti como a casa… vazia…

Acho que por isso resolvi escrever, porque tudo o que vivi lá, não está lá, está em mim.

Mas me deu um medo de esquecer…

9 meses…

agosto 6, 2009

 Porque nove meses??? Nada relacionado ao perido gestacional, a questão é que em nove meses as coisas simplesmente aconteceram assim, deste jeitinho mesmo. Ta bem, para quem não sabe até imagino que vai achar tudo isso MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO e talvez sejamesmo… O fato é que estou aqui numa LUZ DE INVERNO tentando falar de UM AMOR PARA RECORDAR…

Preciso reativar minha memória… mas me lembro que num primeiro momento fui com VICKY, CRISTNA para BARCELONA,  e achei médio, sinceramente eu esperava mais, na verdade, naquele momento eu precisava de mais (e cá entre nós… médio é ruim!).

 Ja quando fui a BUDAPESTE me encantei, mas nada se compara ao meu deslumbramento quando dançei VALSA COM BASHIR! Eu criei muitas expectativas, na verdade sempre crio, e da vez que estive com CHE não gostei tanto… Daí eu quis ir para a CIDADE DE DEUS, mas me lembrei que nem acredito em deus… ao menos não em um deus que tenha uma cidade! Senão, eu creio que nesta tal cidade até haveria AMOR, SEXO mas não TRAIÇÃO!

Tiveram varios momentos de CRASH, mas também vi muita BELEZA AMERICANA, francesa, japonesa, italiana, brasileira, israelense, argentina, espanhola… É… por vezes me sinto tão estranha quanto uma MASSAI BRANCA, absolutamente fora de contexto… Eu, em pleno 2009, queria ter um GRAN TORINO… se não sou uma massai, certamente sou uma MOSCA branca, e como todas essas eu tenho MARCAS DA VIOLENCIA, não fisica, mas emocional que alguns, ou apenas O CURIOSO CASO não DO BENJAMIN BUTTON, mas este que vos relato me causou!!!

Cheguei a pensar que aquilo tudo FOI APENAS UM SONHO, me senti HORAS como O LUTADOR, horas como O LEITOR  da minha propria historia. Muitas vezes me comportei como um TOURO INDOMAVEL, outras vezes como CORALINE, acreditando num MUNDO SECRETO. Teve vezes que tudo me pareceu uma TRAMA INTERNACIONAL, eu queria pegar um TREM DA VIDA e me transformar num X MEN. Mas nem precisava de tanto… bastaria que eu fosse milionaria. Tolice… afinal QUEM QUER SER UM MILIONARIO? quando o que falta não é exatamente dinheiro… e mesmo que o tivesse não me sentia apta a fazer O PAGAMENTO FINAL, porque isso seria justamente o final.

Engraçado que por tres vezes fui O PODEROSO CHEFÃO, outras me senti como uma PERSEPOLIS. Me olhava no ESPELHO, e minha PERSONA me denunciava que eu não era A GAROTA IDEAL, na verdade eu estava mais para A MULHER INVISIVEL, mas tudo bem… o proposito era nobre, eu sabia que por tras daquela aparencia de pelo menos 3 MACACOS, o que havia era UMA MENTE BRILHANTE.

Fiz A VIAGEM DE CHIIRO e encontrei A FANTASTICA FABRICA DE CHOCOLATE, sei que na minha PARTIDA tudo parecia com a ERA DO GELO, era como  uma BABEL, e quando sentia-me ENTRE OS MUROS DA ESCOLA me mantive DE OLHOS BEM FECHADOS. Mas nem sempre estive sozinha… tenho amigos e isso acalanta, até porque A LIBERDADE É AZUL mas a FRATERNIDADE É VERMELHA e nos momentos dificeis fui tratada com carinho, de igual para igual… e A IGUALDADE É BRANCA.

Muitas vezes fui vista como LOKI, mas NINGUEM SABE O DURO QUE EU DEI, e no meu DIVÃ reencontrei A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS… JANELA DA ALMA, da minha alma. É… ponto para FREUD que vai ALEM DA ALMA!

Para descansar um pouco, eu tomei varios sucos de LARANJA MECANICA ou até MILK, enquanto lia muitas PULP FICTION, e com isso experimentava uma INSUSTENTAVEL LEVEZA DE SER.

Fui ao CASAMENTO DE RACHEL, curti HORAS DE VERÃO, e me decepcionei com alguns FALSARIOS… inclusive um tal que eu julgava ser o DR. FANTASTICO. Me perguntava qual era O NOME DO JOGO, e sem resposta eu queria saber então O OUTRO NOME DO JOGO. Pensava que era uma  MATRIX ou aquela coisa idiota que é uma especie de JOGO DE AMOR EM LAS VEGAS onde tudo pode e nada vale. Eram momentos que me sentia o proprio CIDADÃO KANE… alias… MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE!

Tempos dificeis… pensei em ir para A SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS, mas desisti, tinha esperança, eu sabia que eu ainda tinha um PERFUME DE MULHER, e isso me motivava, porque me lembrava de ALEXANDRA, embora muitas vezes eu quisesse ter O BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS.

Eu quis o TUDO OU NADA, vivi uma especie de DESAFIO NO BRONX, quase virei aquilo que alguns chamam de ASSASSINOS POR NATUREZA. É que muitas vezes perdi a noção do tempo e me achava em 2001: vivendo UMA ODISSEIA NO ESPAÇO. Eram os momentos em que eu queria pedir REBOBINE POR FAVOR, mas sempre vinha O GRANDE GOLPE. Pelo menos tudo isso ao som de ROCK’ROLLA!

Eu tive alguns CÃES DE ALUGUEL que eu deixava em DOGVILLE, mas desisti deles porque há AS DUAS FACES DA LEI… eu só pensava nas COISAS SIMPLES DA VIDA e entendia que isso era igual a o imperativo: FALE COM ELA! Impossivel, era só eu mas parecia mais…  praticamente uma multidão de MULHERES A BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS,  e por mais que eu soubesse TUDO SOBRE A MINHA MÃE, eu não conseguia me livrar dos meus MAUS HABITOS. É uma sensação de estar dentro de um ESCAFANDRO querendo ser BORBOLETA. Este foi praticamente UM DIA DE CÃO!

Mas dai… PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO, PRIMAVERA  se passam… opa! antes disso… chega um momento que ALGUÉM TEM QUE CEDER e nove meses depois ENCONTROS E novamente DESENCONTROS… é pena, eu preferia que fossem só encontros, mas a verdade é que algumas relações parecem um CLUBE DA LUTA… sinto MEDO E DELIRIO, e não em LAS VEGAS… aqui mesmo, dentro de mim…

Só espero que a gente não se torne INIMIGOS PUBLICOS, mas neste momento me sinto A DERIVA… mas tudo bem, estou calma porque gosto dO AMOR EM VERMELHO,  a la MOLIN ROUGE!

Torço apenas para que, depois de tudo isso, eu não desenvolva uma FILMEFOBIA!

4 anos: antes… 14 anos: durante… 30 anos: o depois…

maio 30, 2009

Segunda feira, 30 de maio de 2005.

As 9 da manhã uma mensagem pelo celular. As 2 da tarde o encontro.

Bem diferente do cavalo branco dos contos de fada, o que chegou foi um gol branco, daqueles bem antigos, emprestado pelo pai. Parecia coisa de adolescente, mas não era, ou era? Não sei dizer, só sei que há um adolescente entre eles, no tempo. Ela  26, ele 40, e entre eles 14.

E naquele dia era só isso que os distanciava, 14 anos. Ou talvez, estes 14 anos fossem a mais exata representação do que viviam… como se os dois tivessem 14 anos. E com 14 anos negamos quase todas as diferenças, tudo é lindo, tudo é possivel, tudo é permitido.

Com 14 anos a gente nem percebe que ele nem tinha tanto cabelo assim, ou que o que ele falava de Sartre não era exatamente o que Sartre dizia, ou que nem todas as escolhas que ele fez na vida são admiraveis, ou que é um saco ver a pessoa numa segunda feira a tarde e não num sabado a noite, ou que o nariz dele é meio grande, ou que o beijo dele nem é o melhor que ja dei na vida, ou que ele não ir ao cinema faz uma baita diferença, ou que ele nem gosta tanto assim de ler, ou que ele não ser romantico uma hora vai fazer diferença, ou que as vezes a distração dele vai parecer indiferença, ou que ele ter uma filha vai pesar (principalmente porque a filha tem uma mãe), ou que aquela blusa azul deixa ele parecendo um tiozão, ou que ele não conhecer a sua familia vai se tornar um incomodo, ou que , ou que, ou que…

E com 14 anos ele também nem percebe que ela é ciumenta, ela prioriza o trabalho a todas outras coisas, que ela tem uma barriguinha que incomoda, que ela nem sempre esta de bom humor, que ela sente saudades imensas do pai e por isso muitas vezes fica triste de não ter jeito, que ela ama os amigos dela, que ela é uma romantica incuravel, que as vezes ela fica muito brava e fala mais do que deveria, que ela sabe ser dura, que o carro dela é uma bagunça, que ela não come carne, que ela é exigente ao extremo, que ela gosta mais do Nieztsche do que do Sartre, que ela tem o pessimo habito de muitas vezes se achar dona da verdade, que ela é fumante, que ela é absolutamente passional, que as vezes ela é muito chata, que ela tem uma capacidade de argumentar que silencia qualquer um, que ela parece forte mas as vezes é uma menininha carente, ou que, ou que, ou que…

Mas e dai? Com 14 anos nada disso faz diferença.

Acho que todo mundo, quando se apaixona fica com 14 anos.

Só que o tempo passa, aceleradamente, e em 4 anos, pula-se dos 14 para os 30 e daí

por mais que ele perceba que ela é uma mulher (nas palavras dele) inteligente, amorosa, leal, disponivel, apaixonada, excitante, dedicada, companheira, culta, divertida, independente, etc, etc, etc…

E que ela perceba que ele (nas palavras dela)  é lindo, que faz amor como nenhum outro homem, que é engraçado, versatil, gentil, educado, inteligente, comprometido, generoso, carinhoso, etc etc etc

Não ter 14 anos faz diferença…

Desculpas…

maio 9, 2009

A frase foi bem simples: “Me desculpe por ter sido grosseira com vc” mas me arrancou algumas lagrimas e me fez pensar…

Ja fui mais radical em relação a desculpas, hoje entendo que ter a condição de fazer um pedido assim é uma forma de tentar reparar algo que pode ter sido muito danoso (e na situação foi, embora, aqui, eu não me alongue nos pormenores, ou pormaiores… Questões da ética).

E sabe, não custa nada… Não custa nada dizer para alguém que  é importante para nós e que nos preocupamos com aquilo que provocamos com o que fazemos ou dizemos. Não custa nada reconhecer um erro e dar ao outro o direito de saber isso. Não custa nada aliviar o sentimento de uma pessoa que se magoou com algo que fizemos ou falamos dizendo, simplesmente, eu sinto muito. Não custa nada contar para uma pessoa que não queremos permanecer dentro dela como algo ruim, porque o pedido de desculpas tem esse sentido. Não custa nada? O custo maior é de ter que perceber o outro. Parece facil, mas não é.

Não é literal, não é uma forma de se livrar da culpa, antes disso é reconhece-la e poder comunicar algo atraves disso. Nestes casos não basta se culpar (alias, só se culpar não faz diferença nenhuma, como só amar, ou só odiar, ou só sentir qualquer coisa… sentimentos não fazem diferença. Ações fazem).

Eu posso sentir que amo alguém, mas se eu não atuar este amor, não torna-lo algo real do ponto de vista pratico, das ações mesmo, não vai mudar nada, absolutamente nada. Acho que grande parte das pessoas tem dificuldade em reconhecer isso. A pessoa que falou a frase tinha, mas acho que agora não tem mais. E não bastava que ela sentisse ela tinha que me dizer, e me disse, aquela frase simples mas que eu pude ouvir assim: “eu sinto muito pelo que fiz”.

Tem pessoas que alegam que isso não muda nada, de fato, o que foi feito é imutavel, mas o outro saber que isso não foi confortavel muda muita coisa. Todo mundo tem o direito de ficar bravo, de falar algo que pode machucar, de perder o controle em algumas situações. Mas, penso eu, todo mundo que tem direitos, tem deveres, e neste caso o dever é de diminuir o dano que pode ter sido feito.

Sentir não muda nada, dizer que sentiu muda tudo.

E ainda tem gente que acha que ser psi é facil…

Valsa com Bashir

abril 13, 2009

Ontem, depois de um classico almoço de pascoa (nem tão classico assim, minha mãe tentou uma receita nova que não deu certo, e isso é raro, ela manda bem na cozinha!) e de trabalhar a tarde toda (com os olhares divididos entre a atuação do Corinthians na televisão e as milhares de tabelas que eu tava fazendo- ok, sou psi, mas também coordeno um ambulatorio, e tinha que apresentar dados do ultimo trimestre!) achei que eu merecia ir ao cinema (sim, as vezes considero isso um presente que me dou, e como não gosto de chocolates… e era pascoa…).

Daí, fui presenteada com Valsa com Bashir… presenteada porque? Porque é um belo filme, que tem a guerra como pano de fundo para trazer a tona os conflitos de um homem que se perde de sua propria historia, que não tem lembranças de um periodo de sua vida e isso passa a atormenta-lo.

Tudo começa com um sonho, que me fez lembrar o sonho que Freud conta no classico caso “O Homem dos lobos”, e daí por diante mil associações me ocorreram durante o filme… (ok, este é um post com elementos psi… digamos que uma leitura psi do que assisti, superficial tá… senão das duas uma,  para os menos familiarizados com a psicanalise podem me achar uma maluca que viaja, ou então pode ficar com uma linguagem muito tecnica e ninguem entender direito… ou tem uma terceira opção, as pessoas podem gostar e se interessar por psi (torço por esta!!!)

“E filmes não podem ser terapeuticos?” É assim que praticamente se inicia um dialogo entre o sonhador e o cineasta/amigo/companheiro de guerra que ele procura para contar. A angustia do inacabado sonho que revela o quanto aqueles conteudos se manifestam de maneira persecutoria, o quanto aquela vivencia atroz ainda não foi elaborada. Talvez a tentativa de falar com o cineasta fosse a de que ele pudesse dar continuidade a cena, e dar um fim, a algo que teve inicio há 20 anos…

De fato, o cineasta continua a cena, ele é quem parte em busca de sua memória, que ficou perdida, que ficou massacrada (pelo massacre, descobrimos mais tarde). Vira o protagonista da historia, da historia sem historia de si mesmo.

Ele busca então um amigo/terapeuta que lhe avisa que “a memoria é algo vivo e real. A memória preenche lacunas com coisas que nunca aconteceram. A memória nos leva a lugares onde precisamos ir”.

E ele vai… e encontra um outro companheiro de guerra, que depois de confessar que “dorme quando está com medo” lhe revela um sonho, em que ele é retirado do navio onde estão seus companheiros de guerra por um mulher e aparece deitado em seu ventre, no mar. A cena é sem duvida a mais bonita do filme. E me suscita a imagem de um bebe, a regressão no sonho, como uma busca de segurança, de acolhimento, de contenção. Mas ele acorda e se vê numa praia, por medo e anisedade atirando como um louco, e nem sabe em que. Mecanicamente, como se não estivesse presente.

Alias, em alguns momentos fica evidente a negação da situação de guerra, no tanque, os soldados aparecem cantando “alegremente” (na linguagem psi: maniacamente), até que um tiro os fazem contatar novamente a realidade… um sobrevive e de novo, nas aguas, encontra serenidade, e reencontra seus companheiros…

O filme é cheio destas nuances de imagens, a mais marcante é a de um pomar, com uma iluminação suave (os raios de sol se embrenhando pelo meio das arvores), uma valsa tocando e uma criança atirando nos soldados… e, sendo fuzilada por eles. É a morte da inocencia, e na guerra é assim, é a morte do racional, onde se manifestam nossos sentimentos mais hostis e agressivos.

É a contradição que, para mim,  marca este filme. A contradição de querer esquecer e não poder viver sem as lembranças. A contradição de querer ver tudo através de uma camera imaginaria e ao mesmo tempo não poder negar os eventos que se apresentam a nós. A contradição entre o que é o sonho (do primeiro personagem) e a realidade (que o outro personagem quer desvendar).

A contradição de ser este filme, de historia tão marcante e significativa,e não estou considerando aqui o horror da guerra, ao menos não a guerra entre os povos, mas sim das guerras internas que este – e tantos homens- travam com si mesmos na tentativa de esquecer o inesquecivel, uma animação, o que suaviza, deveras, o “insuavizavel”. Haja vista a cena final… é então, fica facil saber o porque ele esqueceu, eu também queria esquecer…(e  foi também por isso que  fui ao cinema…)

Frases

abril 12, 2009

A idéia não é original, tem até livro com as melhores frases de filmes (que eu, pessoalmente não concordo com muitas citadas alí, mas… cada um com sua seleção!!!). Alias isso me fez lembrar um livro do Eduardo Giannetti, o economista mais psicanalista que eu conheço, que tem um livro chamado “O Livro das Citações” que reune desde o prefacio citações de muitos outros autores (e nenhuma dele, embora ele seja digno de ser citado por ele mesmo, especialmente se citasse qualquer frase de um outro livro dele “Auto-engano” que é genial!!!)

Eu gosto de frases, gosto de palavras, de letras… e hoje serei breve, porque do bom filme “Entre os muros da escola” a frase que selecionei foi:

“Se o que vai dizer não é mais importante que o silencio, cale-se.”


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